O Teatro da Veja

Cena 1 – A farra dos jornalistas oportunistas
Na Veja #18, a matéria intitulada “A farra dos antropólogos oportunistas” distorceu citações do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, que enviou duas cartas à revista e ainda assim não recebeu respostas satisfatórias.
Cena 2 – Bofetadas Juvenis
Na Veja edição 2164, Lino de Macedo protesta em uma carta contra a matéria “Salto no escuro”. A matéria é uma tentativa de desconstruir o construtivismo de forma equivocada. Garotos e garotas do grêmio da escola da filha da Maria Frô escreveram esta carta:
“Pessoal,
Segue abaixo a matéria desprezível que saiu há algumas semanas na Veja sobre construtivismo (a linha pedagógica seguida pela nossa escola) para quem quiser diminuir ainda mais o conceito que tem desse veículo de desinformação.
Anexa, a carta de um professor de psicologia na USP contestando a matéria.”
Cena 3 – Não nos critique
O jornalista e editor da National Geographic Brasil foi demitido após publicar “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)” em seu Twitter.
Fecha as cortinas! E o espetáculo continua semanalmente… Assine já a Veja!
Gostou? Tweete, Curta e aperta o +1!
TweetarLeia também:
Categoria O Jardim da Política | Comentários (3)
Manifesto do Cigarro

“Arte de Fumar
Desconfia dos que não fumam:
esses não têm vida interior, não tem sentimentos.
O cigarro é uma maneira sutil, e disfarçada de suspirar”
Mario Quintana
Fumar é um esporte necessário para o alívio do tédio existencial. Fumar é maléfico em alguma medida e benéfico em outra. A atmosfera dos fumantes é conhecida e acessada somente por eles, e, do outro lado, a Geração Saúde orquestra os interesses do Estado com seu rabugento charme. Este manifesto é fundamentado em investigação tanto em comunidades científicas quanto em peças jornalisticas, para acabar com a demonização do tabagismo.
A Geração Saúde é um manifesto vivo de como os “ratos da civilização” constituem um vírus a serem eliminados da sociedade. A Geração Saúde aceita como verdade tudo que o Estado fala que seja supostamente para seu ‘bem’. A Geração Saúde é uma geração nova, velha, chata, rabugenta e, principalmente, mal informada.
“O cigarro faz mal à saúde”, é um dos princípios básicos tatuado na saliva da Geração Saúde. O axioma é tão axiomático que eles excluem a possibilidade do cigarro também fazer bem à saúde, e ainda de não fazer tão mal quanto dizem.
A retórica perversa da saúde é a de que tudo que prejudica a saúde deve ser distanciado, pois saúde é qualidade de vida, e qualidade de vida é viver mais. Como se todos não tivessem algum hábito tão prejudicial quanto o tabaco. Como se boicotar a salada não fizesse mal à saúde. Como se não tomar água não fizesse mal à saúde. Como se não dormir direito não fizesse mal à saúde.

A Geração Saúde inveja os narcotizados, entorpecidos, alucinados, e todos os outros que estão sob o “suicídio disfarçado”. Invejam por terem vontade, curiosidade ou por suas fontes de prazeres serem insuficientes a ponto da voz da saúde gritar muito mais alto que o desejo. Então passam a demonizar todo tipo de hábito prejudicial.
A origem de todo ideário da Geração Saúde emana do Estado. O álcool comprovadamente é pior que o cigarro. Todavia, o álcool tem uma receita maior, e é mais lucrativo para a indústria, e, por conseguinte, ao Estado que recebe em impostos. Logo, há o interesse muito maior em reduzir o número de fumantes do que o de alcoolistas.
Nesse terreno nicotinado, a batalha travada é entre a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as indústrias tabagísticas. A OMS é da Organização das Nações Unidas (ONU). A ONU foi criada depois da segunda guerra por quatro potências, entre elas o Estados Unidos. A sede da ONU é em Nova Iorque (EUA). OMS é a mesma por trás da gripe suína – que agora vem sendo desmascarada como uma das maiores mentiras já inventadas pela humanidade. Não é um órgão de confiança, principalmente quando a influência é no campo científico – a Universidade de Brasília (UnB), para citar um exemplo interno, já fez uma parceria com a ONU.
João Pereira Coutinho disse, certa vez, que “tratar um fumante como um doente representa um novo patamar na longa caminhada rumo à desumanização da espécie”. A publicidade anti-tabagismo gerada pela OMS é causadora de uma triste repressão. Por toda a sociedade acreditar que o tabagismo é um mal desnecessário “91,8% dos fumantes afirmam que ingressar no tabagismo foi um erro”. Para fins de dúvida, vale mostrar que os órgãos que fizeram a pesquisa foram o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e pelo International Tobacco Control (ITC). Independente do contestado dado, 8,2% acham que fumar é uma delícia, e todos os fumantes que conheço se encaixam neste 8,2%. Para não sustentar minha justificativa da estatística em achismo, a própria Convenção Básica Sobre o Controle do Tabaco da OMS anuncia a tática: “Os jovens que crescem tendo a sua volta espaços livres de fumaça têm mais probabilidade de considerar o hábito de fumar como sendo fora do comum e inaceitável socialmente.”

Desmitificando algumas asneiras da Geração Saúde, as estatística a respeito do tabaco não suportam uma análise cuidadosa. Vejamos: elas trazem um aumento percentual da taxa de mortalidade por algum tipo de doença. A jogada é que esse aumento é sobre a taxa já existente de causa da doença, e não somado a taxa já existente da doença. Assim, por exemplo, uma doença de taxa 0,025% que com o tabaco aumenta o risco em 50% (tudo isso!) ficaria 0,05% (só isso?) – e vai se incluindo centenas de doenças no falso diagnóstico do tabagismo, como se comesse uma maça também não acentuasse o risco de algumas doenças e atenuasse o de outras.
Fala-se que a fumaça do cigarro causa um aumento da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares (25 a 35%) para o fumante passivo. A chance de ter uma doença cardiovascular é 3,6%, e, sendo pessimista, se aumentarmos o 35% passa de 3,6% a 4,8%, o que não é motivo para tamanho alarme. O 35% é testado em robôs – e não homens – com a teoria ridícula de que a fumaça tragada pelo não fumante “contém 3 vezes mais nicotina”. Ora, pois então, o fumante passivo deveria ser 3 vezes mais viciado que o fumante, o que não acontece. Acho que encontramos uma falha científica.
“Poluição em São Paulo mata oito por dia”: aqui o cigarro é uma minúscula parcela desta poluição constituída por fábricas, carros, etc. Ou seja, independente dele,existiria os fumantes passivos.
Se acusar o Estado parece conspiração: o Serra, em nome do Estado, encabeçou uma lei anti-fumo. Para além do blá-blá-blá de que a lei é eleitoreira, seguem algumas informações interessantes: “Álcool causa tantas mortes quanto fumo, diz pesquisa”; “A Brahma pagou bolsa de estudos para filha do Serra em Harvard”; “Presidente da SABESP autorizou fusão da Brahma com Antarctica. (…) O atual presidente da SABESP, Gesner de Oliveira, é um homem-chave no esquema dos bastidores da campanha eleitoral de José Serra (PSDB/SP)”. Veja o que o jornalista Luis Nassif falou na época: “O parecer que autorizou a compra da Antárctica – estabelecendo o maior monopólio da história do país, na área de bebidas e alimentos – é uma página negra na história do direito econômico brasileiro”. E para não deixar dúvidas: “A afinidade é tamanha que muitas das agências de publicidade e marqueteiros que fizeram campanhas para a cervejaria, também fizeram campanhas políticas para os tucanos”.
O prazer do cigarro é como o veneno da víbora, que só se descobre a magnitude sentindo. O mecanismo mais básico da psique humana é o de previsibilidade – expectativa, frustração ou exito -, e o cigarro é um hábito que funciona com a mesma mecânica, mas de forma refinada – expectativa e exito, apenas.
Os efeitos provados cientificamente são espantosos: há maior clareza de pensamentos, maior atenção e capacidade de concentração, assim como aumento da memória, evita Parkinson, colabora com a manutenção do peso ideal – evitando a obesidade que é a doença que mais mata -, contém dopamina que torna a atividade relaxante, serve como catalizador social – formando tribos, faz papel de aquecedor térmico no frio, combate o strees e a depressão, e há provas que Telomerase – fonte da juventude – é muito mais ativa em fumantes.

“A nicotina ativa neurotransmissores no cérebro responsáveis pela liberação de substâncias como a Dopamina e a Serotonina, que são poderosos antidepressivos”, explica a cardiologista Jaqueline Scholz Issa. Segundo a médica Paula Basinelli, “a dupla Dopamina + Serotinina parece mesmo imbatível. A primeira dá sensação de alegria, felicidade e bem-estar. Já a Serotonina é um estimulante que dá coragem, bom humor e controla o apetite. Perfeito, não?”
Álcool mata 6,5 vezes mais que outras drogas. O faturamento econômico do álcool é muto maio. Portanto não é vantajoso que o Estado faça como que a Geração Saúde demonize o álcool.
A ciência ainda não deu provas definitivas que cigarro provoca câncer. Existem 48 substância que a ciência diz provocar câncer. Outras 20 são altamente suspeitas. Daquelas 5.000 substâncias divididas em diferentes proporções, 48 provocam câncer. 4.952 não! Há um estudo da Data-Yard com o título: “Câncer de pulmão: riscos independente de cigarro tabagismo”.
O positivismo de Comte já orientava a ciência para o interesse. O financiamento das pesquisas, assim como na política, são para suscitar pesquisas imparciais. Há estudos da PLoS Medicine que dizem que as revistas médicas são uma extensão da indústria farmacêutica. Para piorar a situação há um artigo denunciando que o “Ativismo anti-tabaco pode ser perigoso para a ciência epidemiológica”, o que deixa muito claro a capacidade manipulativa da ciência.
Alguns argumentam que fumar é falta de personalidade. Pois então, um dos maiores escritores do existencialismo – Sartre – não tem personalidade. Marx não tinha personalidade. Lula não tem personalidade. Cássia Eller não tinha personalidade. Freud nunca teve personalidade.
Acende um cigarro, pontua o texto.
Fontes de Pesquisa:
[1][2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14][15][16][17][18][19][20]
Gostou? Tweete, Curta e aperta o +1!
TweetarLeia também:
Categoria O Jardim da Política | Comentários (26)
O Anarquismo de Drummond
A maioria dos escritores deixam em implícito suas convicções políticas. Drummond manifestou, certa vez, um discurso um tanto anarquista:

“A Constituição de que eu mais gostaria é esta – ‘Artigo primeiro: Não há artigo primeiro. Artigo segundo: também não há artigo segundo. Parágrafo. Revogam-se as disposições em contrário’”
O Anarquismo, ao contrário que muitos pesam, não é uma doutrina. É a ausência dela como melhor doutrina. Assim como no ateísmo, não sendo a crença na inexistência, mas a inexistência de crença.
O senso comum interpreta Anarquia no sentido pejorativo do termo, então ele passa a vestir uma roupagem de bagunça, desordem, caos.

(“A” de Anarquismo, “O” de Ordem)
Proudhon, um teórico do Anarquismo, condensou a ideia em uma breve frase: “A anarquia é a ordem!“
Gostou? Tweete, Curta e aperta o +1!
TweetarLeia também:
Categoria Cultura Pseudo Intelectual, O Jardim da Política | Comentários (12)
Breves Notas Sobre a Democracia
Temos um lance democrático tão forte na cabeça, que a palavra “dividir” pressupõe que sejam partes equitativas.
*
Democracia é o verbete de maior número de linhas nos dicionários de sociologia. Quanto mais linhas, mais burocrático (vide o código de barras).
*
Democracia é quando todo mundo perde a liberdade e a autonomia em prol do coletivo – ainda que esse seja aquele “todo mundo” que perdeu a liberdade a autonomia.
*
Amor Livre é a democratização do corpo.
*
Na democracia o povo é quem manda, inclusive para decidir se você é ou não parte dele.
*
Liberdade é uma coisa linda, bonita e maravilhosa, mas que só é possível embaixo da terra sob cruzes & flores.
*
A maioria é burra. A minoria também. Geralmente há um ou dois indivíduos geniais na multidão.
Gostou? Tweete, Curta e aperta o +1!
TweetarLeia também:
Categoria O Jardim da Política | Comentários (5)













