Jean Baudrillard

The Drawer of Dresden (1930) – Conrad Felixmüller
Os Estados Unidos são o grau zero da cultura, possuem uma sociedade regressiva, primitiva e altamente original em sua vacuidade. No Brasil há leis de sensualidade e de alegria de viver, bem mais complicadas de explicar. No Brasil, vigora o charme.
Jean Baudrillard
ÉPOCA – Se não é pós-moderno, como o senhor define seu pensamento em poucas palavras? Os críticos o chamam de pensador terrorista, ou niilista irônico.
Baudrillard – Sou um dissidente da verdade. Não creio na idéia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Aliás, sou um fotógrafo.
Entrevista completa.
André HP: diferente de Marx, que preferiu condenar toda absurda realidade cósmica ao tribunal da história – desfilou com mais um conjunto de valores pobres e pouco justificáveis se não pela emoção da pobreza e martirização (que foi o exemplo dado por arquétipo de Deus, Jesus Cristo) – há os que acreditam que Marx é puramente essencialista e não transgride em nada com metafísicas clássicas (neo-platônicas). Estes tomaram mágicas consciências dos anseios em terrenos pós-modernos. Passaram a pulsar com imediatismo, espetaculismo & delírios, muitos delírios.
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