A Crônica no Jornal

Vinicius de Moraes (Fotógrafo desconhecido)
“Um jornal é um pouco como um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo, o fígado; e as secções, o aparelho digestivo – a crônica é o seu coração. A crônica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre “muito tido, muito visto, muito conhecido”, como diria o poeta Rimbaud
[...]
Num mundo doente a lutar pela saúde, o cronista não se pode comprazer em ser também ele um doente; em cair na vaguidão dos neurastenizados pelo sofrimento físico; na falta de segurança e objetividade dos enfraquecidos por excessos de cama e carência de exercícios. Sua obrigação é ser leve, nunca vago; íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo dágua em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para a satisfação real dos que nelam matam a sede.”
Da crônica “O Exercício da Crônica”, de Vinicius de Moraes.
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Categoria Divagações Teóricas | Comentário (1)
Um Comentário para “A Crônica no Jornal”
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Vinicius é sempre um novo encanto!
Por favor, há como se obter o poema original de Rimbaud, de onde foi extraído: “muito tido, muito visto, muito conhecido”?
Obrigado!