O Movimento Modernista, por Mário de Andrade

September 30th, 2010

Tarsila do Amaral

“Já um crítico de senso comum afirmou que tudo quanto fez o movimento modernista far-se-ia da mesma forma sem o movimento. Não conheço lapalissada mais graciosa., Porque tudo isso que se faria, mesmo sem o movimento modernista, seria pura e simplesmente… o movimento modernista.”

“Quem teve a idéia da Semana da Arte Moderna? Por mim não sei quem foi, nunca soube, só posso garantir que não fui eu.”

“Quanto a dizer que éramos, os de São Paulo, uns antinacionalistas, uns antitradicionalistas europeizados, creio ser falta de subtileza crítica. É esquecer todo o movimento regionalista aberto, justamente em São Paulo, e imediatamente antes, pela “Revista do Brasil”; é esquecer todo o movimento editorial de Monteiro Lobato; é esquecer a arquitetura e até o urbanismo (Dubugras) neocolonial, nascidos em São Paulo. Desta ética estávamos impregnados. Menotti del Picchia nos dera o “Juca Mulato”, estudavamos a arte tradicional brasileira e sobre ela escreviamos; e canta regionalmente a cidade materna o primeiro livro do movimento. Mas o espírito modernista e as suas modas foram diretamente importados da Europa.”

“A burguesia nunca soube perder, e isso é que a perde.”

“O que caracteriza esta realidade que o movimento modernista impôs é, a meu ver, a fusão de três princípios fundamentais: o direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência criadora nacional.”

“Graça Aranha, sempre desacomodado em nosso meio que ele não podia sentir bem, tornou-se o exegeta desse nacionalismo conformista, com aquela frase detestável de não sermos “a câmara mortuária de Portugal”. Quem pensava nisso! Pelo contrário: o que ficou dito foi que não nos incomodava nada “coincidir” com Portugal, pois o importante era a desistência do confronto e das liberdades falsas. Então nos xingaram de “primitivistas.”

“Mas eis que chego a este paradoxo irrespirável: Tendo deformado toda a minha obra por um antiindividualismo dirigido e voluntarioso, toda a minha obra não é mais que um hiperindividualismo implacável! E é melancólico chegar assim no crepúsculo, sem contar com a solidariedade de si mesmo. Eu não posso estar satisfeito de mim. O meu passado não é mais meu companheiro. Eu desconfio do meu passado.”

“Se de alguma coisa pode valer o meu desgosto, a insatisfação que eu me causo, que ops outros não sentem assim na beira do caminho, espiando a multidão passar. Façam ou se recusem a fazer arte, ciências, ofícios. Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camuflados em técnicos de vida, espiando a multidão passar. Marchem com as multidões.”

“A liberdade não é um prêmio, é uma sanção.”

Conferência promovida pela Casa do Estudante do Brasil, no Salão de Conferências da Biblioteca do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no dia 30-4-1942.

Gostou? Tweete, Curta e aperta o +1!

Leia também:




Um Comentário para “O Movimento Modernista, por Mário de Andrade”

  1. Biblioteca da Academia Arcana | on November 2, 2010 22:03

    [...] Modernismo O Movimento Modernista, por Mário de Andrade [trechos [...]

Trackback URI | Comments RSS

Leave a Reply

Nome (obrigatório)

Email (obrigatório)

Seu Site

Comentário