Para Fotógrafos – Estupre Paradigmas

“Ceci n’est pas une pipe” (Isto não é um cachimbo) – René Magritte
“Considerando que a fotografia se resume em uma série de operações puramente manuais e que as cópias resultantes não podem em nenhuma circunstância ser assimiladas às obras de arte, fruto da inteligência e do estudo, os artistas firmemente protestam contra toda relação que possa se fazer entre a fotografia e a arte.” Jean-Désiré-Gustave Courbet
“Fotografar é uma paixão abjeta que se apoderou de todos os continentes e todas as camadas sociais, uma doença de que foi acometida toda a humanidade e da qual não pode mais ser curada. O inventor da arte fotográfica é o inventor da mais desumana de todas as artes. A ele devemos a definitiva deformação da natureza e do ser humano que nela vive, reduzidos à careta perversa de um e de outro (…). A fotografia é a maior desgraça do século xx.” Thomas Bernhard em Extinção (Companhia das Letras, 476 págs.)
“A arte é uma fuga da realidade, e não uma subordinação a ela.” (Objeções Contra o Teor Artístico da Fotografia)
Uma parcela intelectualizada de uma sociedade procura o contato com a arte motivada por:
- Justificativas de amor pela arte: para gerar tribos fechadas e egocêntricas ou para resgatar ideais europeus de registro e memória;
- Forças do culto contemporâneo à imagem e excessivamente ao corpo – e é significativo o número de vezes que este impera como objeto das produções fotográficas;
- Desejos existenciais de autoria de algo no mundo, como reação da passividade incômoda de vê-lo pronto.
A fotografia é a solução mais imediata que lhes resolve o problema da carência artística – não artística.
Proponho, portanto, transformar o fotografar em atividade artística, como seguem os exemplos:

Em 1901 o fotógrafo Valério Vieira foi premiado com a montagem “os vinte valérios” – tempos em que não havia photoshop.

Em 1917, duas adolescentes em Yorkshire tiraram fotos de fadas no jardim. Arthur Conan Doyle olhou as fotos e escreveu o livro A Vinda das Fadas (The Coming of the Fairies) crente na existência das fadas. Anos depois as meninas revelaram que forjavam as fotos na hora da revelação. O curioso é que o livro com figuras de fadas que elas usavam nas fotos tinha uma contribuição de Doyle, e o criador do habilidoso Shelock Holmes tinha sido enganado por duas menininhas.

O fotógrafo espanhol Chema Madoz faz fotografia surrealista.

Alex Andreev protesta contra o crescimento das metrópoles e faz surrealismo.
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Categoria Alquimia Cerebral | Comentários (2)
2 Comentários para “Para Fotógrafos – Estupre Paradigmas”
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Ah, agora vc encontrou qualidades na fotografia?
@Frico
Deve ser um tipo de soco na parede que dei meio que sozinho pra ninguém ver ou contestar. Mas bora trabalhar, sem freudianas.