O Inebriante Extermínio das Bibliotecas

April 3rd, 2010

lerlivro

A biblioteca – museu da intelectualidade, vitrine de pensamentos, estoque de poesias, cardápio dos grandes romances -  funciona sob uma lógica perversa, estagnando o objetivo do que supostamente abriga: o livro.

Há uma falsa impressão de que todo conhecimento acumulado pela humanidade não existiria sem as bibliotecas, como se o inconsciente coletivo não fosse nada, como se a tradição oral não fosse nada, e como, principalmente, se a biblioteca fosse condição essencial para existência dos livros. Minha pretensão é lançar um argumento sensato de que sem as bibliotecas todo conhecimento acumulado pela humanidade seria ventilado em uma amplitude muito maior.

Existe um certo romantismo construído pelos leitores sobre as tais bibliotecas: o silêncio arcano, o território da sabedoria, as densas fileiras alimentadas pelos letrados, o vazio dos corredores, a seriedade dos leitores, e outros fetichismos atribuídos às filas de estantes. O fato é que a biblioteca é desnecessária e não falo da digitalização do livro: falo da dissolução das bibliotecas como meio para gerar mais leitores.

Comparo, resguardadas as devidas proporções, a biblioteca com o supermercado: existe alimento para toda a população, porém só alguns têm acesso. Não entra, aqui, políticas de acesso às bibliotecas, pois elas não faltam. A questão é que sem as bibliotecas teríamos muito mais leitores. Explico a lógica: os livros seriam abrigados na casa dos leitores, e percorreriam leitores com a dinâmica de troca voluntária ou doação. No começo haveria uma certa confusão e até uma escassez do escambo, mas obviamente a demanda de livros surgira aos poucos, e o fim das bibliotecas potencializariam o processo. O livro seria como o ar e a água, uma espécie de bem público, e, com o tempo esse pressuposto estaria inerente a cultura da leitura.

O fator psicológico é que tendo um livro em casa, uma hora ou outra a atividade da leitura é eleita na rotina do indivíduo, recrudescendo o número de leitores.

Não há maior prova de estupidez do que ter uma biblioteca particular em casa. São poucos dos livros guardados que provocarão uma segunda leitura. Guardar livros como “troféus da leitura” é uma tentativa ridícula de ostentar intelectualidade pelo número de leituras, quando uma simples lista de “leituras concluídas” seria suficiente. Há, claro, aquele livro em que portamos um volume, com o prazer bíblico de reler sempre que puder.

Já pensei, certa vez, que o intelectual era aquele que sentia fobia de pensar no dia em que a biblioteca em que frequenta pegasse fogo. Hoje, penso ser aquele que ateia o fogo.

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28 Comentários para “O Inebriante Extermínio das Bibliotecas”

  1. Inã on April 3, 2010 10:15

    André,

    Confesso que diante da minha vaidade intelectual (se é que eu posso chamar dessa forma), nunca tinha parado para pensar dessa maneira.

    Apesar de tudo, eu não seguro meus livros no armario até eles mofarem, pelo contrario eu fico insistindo para que as pessoas usufluam do mesmo.

    No mais, acabei me lembrando de um filme chamado Cabo do Medo, no qual o criminoso Max Cady (Robert De Niro) ao sair da prisão é questionado pelo guarda quanto aos seus livros que ficaram na cela – O criminoso responde que não precisava deles porque a parte que interessa já está guardada em sua mente.

    Post diferenciado! Mandou bem!

  2. Tatyla on April 3, 2010 16:00

    Muito bom o post!
    Realmente não tinha pensado em quão mais importante é socializar os livros do que tê-los em estantes empoeiradas em casa… apesar de sempre procurar ‘distribuir’ os meus…
    A idéia de trocar livros, fazer doações, enfim, socializar leituras é muito interessante. Podemos ver, por exemplo, em alguns municípios brasileiros, a idéia de distribuir livros pelos ônibus e por toda a cidade já é uma prática, que com certeza aproxima muitos ‘não-leitores’ do mundo da leitura, e tornando-os potenciais leitores…
    A biblioteca, enquanto espaço, acaba mesmo afastando muitos sujeitos desse mundo, ao invés de aproximar, pois cria um ambiente cheio de significações, com um exteriótipo de ‘intelectualidade’, é um ambiente fetichizado…
    E quando você ‘espalha’ esse livros por lugares comuns, eles passam a fazer parte da vida cotidiana, legitimando o que você expõe:
    “O livro seria como o ar e a água, uma espécie de bem público, e, com o tempo esse pressuposto estaria inerente a cultura da leitura.”
    Isso possibilita a criação de uma sociedade de leitores… e consequentemente melhor informada, em contato com obras de qualidade, podendo aproximar-se um mundo outro, recriando o seu próprio mundo.
    =)

  3. orlando pinho on April 4, 2010 13:06

    pela não retenção do conhecimento
    pela circulação aérea ambulante flutuante navegável livre dos saberes
    consciência em chamas
    este é o outro olhar

  4. Marci Kuhn on April 4, 2010 15:09

    Olá,
    Achei absolutamente ilógica a sua solução social para a divulgação da leitura e cultura. Devemos parar de romantizar sim a ignorância e a preguiça dos outros e parar de justificá-las. O homem contemporâneo acha-se o gênio da desconstrução do mundo, literalmente queimando as tradições que além de belas têm razão. Se com as bibliotecas, que são pontos conhecidos há mais de 2000 anos, ninguém procura conhecimento, imagine sem. Acho que o buraco é bemmmmm mais embaixo.
    Abaixo a desconstrução.
    Abraços

  5. Inã on April 4, 2010 17:00

    Temos também os fatores positivos, como a questão de organização de livros, ambiente de estudo e áreas de pesquisas, entre muitas outras coisas.

    Porém o post do André faz sentido e exige no mínimo um pouco de reflexão a respeito, principalmente quanto a parte enfatizada por ele, no caso a leitura…

  6. Inã on April 4, 2010 17:00

    Acabei de me lembrar de mais uma, dessa vez do Victor Hugo:

    Num poema ainda ensinado nas escolas francesas como lição de humanismo, “De Quem é o Erro?”, Victor Hugo castiga com dureza uma pessoa que acaba de confessar haver incendiado uma biblioteca. E começa a exclamar colericamente:

    “Crime cometido por você contra você mesmo, infame! / Você acaba de matar o raio de luz de sua alma! / É a sua própria chama que você acaba de assoprar! / (…) Uma biblioteca é um ato de fé (…) / Então você esqueceu que o seu libertador / É o livro? (…)” Terminada a longa descompostura, em tom de sermão, o poeta que falou sobre a verdade, a virtude e o progresso permite que o delinqüente possa pronunciar uma única frase: “Eu não sei ler.”

  7. Thiago Bomfim on April 4, 2010 22:52

    Tá aí uma coisa bem subversiva, utópica até. Mas como dizem: utópico é só aquilo que não tiveram culhões pra tentar.

  8. André HP on April 5, 2010 17:32

    @Marci Kuhn
    Até 80 anos atrás era tradição achar que existe raças humanas e que a “branca” era superior que a “negra”. Até 400 anos atrás era tradição pensar a mulher como a pior espécie de qualquer raça – vide Le Bon. Até 500 anos atrás era tradição pensar que o índio não tinha alma. Até 800 anos atrás era tradição pensar que a medicina natural era bruxaria, e você era jogado na fogueira.

    A história da humanidade é estupidificante. As futuras gerações se envergonharão muito ainda do que vivemos na contemporaneidade, pode apostar.

    “Se com as bibliotecas, que são pontos conhecidos há mais de 2000 anos.”
    Já parou para ver o índice de analfabetismo no mundo? E o número de formados em curso superior? E o número de leitores? Se 2000 anos não foi suficiente, temos um grande problema.

    @Inã
    Toda estrutura tem fatores positivos, mas há um balanceamento a ser feito, e reforma por reforma não leva a nada. A organização, catalogação e arquitetura da informação para pesquisa é muito mais fácil na era digital. Você compra um livro que procura em dois cliques, sem precisar, como antigamente, vasculhar bibliotecas e mais bibliotecas – fora a censura, vide Em Nome da Rosa. Biblioteca hoje serve para a criançada ir fazer trabalho de escola – e o wikipédia vem matando isso -, serve para um ou outro jovem leitor fazer um ou outro empréstimo, serve para gastar uma puta grana – gerar capital intelectual – e deixá-la parada – livro na estante é capital intelectual parado: ridículo!

    @Thiago Bomfim
    Mudança é muito complicado. O rabugentismo de gerações anteriores é uma puta bloqueio para qualquer ideia sensata que venha dos mais novos. A pós-modernidade tem um pouco dessa de ficarmos adiando a resposta para as coisas, quando no fim permanece sem solução. Tem gente que ainda pensa que “tá bom”, que “não tem o que mudar”. Ou é falta de observação à volta ou um mínimo de bom senso. O Brasil não lê. É um problema? Sem dúvidas. Tem solução? Tentando, talvez.

    Agraço aos comentários!

  9. Raphael Tsavkko on April 6, 2010 01:08

    A idéia de que guardar livros seria algo estúpido não procede quando falamos de livros técnicos e quando você os estuda. são consultados milhares de vezes…

  10. Viviane on April 6, 2010 07:35

    Tivemos uma experiência assim no jari: implantamos o banco do livro. A partir de um acervo arrecadado em doações, cada leitor se dirigia ao banco do livro e trocava um exemplar seu por outro que desejasse ler. A ideia era a mesma, de democratizar a leitura e reforçar o sentimento de pertença enquanto aquele livro fosse útil. Acho que ainda existe por lá.

  11. gilvas on April 6, 2010 13:48

    deixei de ir a bibliotecas depois que passei a ter dinheiro suficiente para adquirir meus próprios livros. o que não é muito dinheiro, vocês sabem. tenho uma prateleira de troféus para que outras pessoas os vejam e os carreguem. não sentirei dor se as bibliotecas desaparecerem. talvez um pouco, dado que sou fetichista, confesso em http://gilvas.wordpress.com/2006/11/26/tocando-livros/. por outro lado, não acredito que o conhecimento será ventilado. seria esperar demais.

  12. Ale Lucchese on April 6, 2010 14:51

    Só é livre quem se livra dos livros.

  13. André HP on April 6, 2010 18:42

    @Raphael Tsavkko
    Estamos falando de literatura. A digitalização dos livros fez com que você possa consultar qualquer momento livros técnicos e científicos. Para isso não precisaria de biblioteca – até porque se esta consulta frequente for necessária é de bom tom tê-los.

    @Viviane
    Ainda assim é uma forma de estocar livros. Matematicamente sempre que eu tiver um aqui teria um lá – ou seja: livro parado.

    @gilvas
    Não acredito que multidões incorporariam o hábito da leitura. Mas, obviamente, teríamos muito mais leitores – pense na biblioteca como uma forma até de desmotivar, imagine que maravilha seria se o livro fosse escasso, ele seria tratado como algo raro e que merecesse atenção (as bibliotecas ‘matam’ esta sensação do raro).

    @Ale Lucchese
    Lembrou-me aquele livro “Como falar de livros que não lemos”.

  14. Adriana Ornellas on April 6, 2010 18:59

    Olá!

    Gostei do post! Porém não concordo inteiramente. As bibliotecas não servem apenas para a guarda do livro e tem várias outras funções importantes para a sociedade. Por exemplo, é importante que o conhecimento de hoje esteja disponível para a próxima geração, no sistema descrito, isso seria muito difícil ou até, impossível, pois o livro ficaria disperso em vários lugares, não tendo um paradeiro definito; a biblioteca também serve como fonte de informação, quando você precisa de determinada informação sabe onde pode procurá-la. Com bibliotecas sem acervo ou com a inexistência delas, várias outros problemas surgiriam com a solução do problema apontado.

    Acredito que isso poderia ser feito, e acho que daria muito certo, com os livros de literatura de ficção ou não-ficção. Confesso que tenho minha biblioteca particular e, mesmo assim, concordo com você que isso é uma estupidez. Já pensei várias vezes em trocar, vender, doar, deixar na rua para outra pessoa pegar e já fiz isso tudo algumas vezes, mas o sentimento com o livro e o que ele representa não é só o de ele ser um troféu, é mas do que isso e por isso acho que é tão difícil.

    Adriana Ornellas

  15. Tiago Murakami on April 6, 2010 19:40

    Considero seus argumentos fracos. A Biblioteca teve um papel importante de transmissão de conhecimento quando poucos tinham acesso ao livro. Hoje é muito fácil falar, mas ela por não estar mais cumprindo esse papel, está mudando o discurso. As bibliotecas começam a se tornar um dos poucos espaços públicos e devem ser ocupadas como tal. Quanto ao argumento, se acabarem, o conhecimento anda mais, é um erro porque parte de uma premissa errada de que concentramos o conhecimento e o que é selecionado é o que circula. Então, acabe com as livrarias, que essas sim, escolhem muito bem o que querem vender.

  16. André HP on April 6, 2010 21:21

    @Tiago Murakami
    Não falo só de “conhecimento”, e é bobagem considerar só o conhecimento da literatura como legítimo – há outras formas tão interessantes quanto, como a tradição oral, o senso comum, etc. A biblioteca tem o papel, hoje, simplesmente de estocar e empoeirar livros. Perdeu seu caráter sedutor, ou você já viu uma biblioteca lotada? Sobre a seleção do que vem a ser conhecido por um público leitor não entra no mérito da discussão por conta do nosso objetivo, aqui, ser simplesmente discutir um tipo de prática que gere leitores – que seria o tal escambo.

    Abraço.

  17. Pedro on April 6, 2010 21:24

    Taí. Concordo com vc, em partes. Odeio o silêncio da biblioteca. Odeio funcionário público (ou “privado”) que defende a todo custo os livros da biblioteca (de nós, a gentinha). Por isso, odeio quem dificulta o acesso aos livros, sim, nas bibliotecas.

    Se num dia azul todos pudessem ter livros em casa, aconteceria isso mesmo que escreveu. Aliás, em alguns lugares já acontece.

    Pedro

  18. Vinícius Antunes on April 8, 2010 09:30

    Gostei muito do texto, embora eu ainda seja da ala dos estúpidos que cultivam, amam e dormem no meio da biblioteca, feito um livro inútil.

  19. Vinícius Antunes on April 8, 2010 09:33

    Ah, volto para dizer ao Tiago Murakami que não há menor importância no fato de os argumentos serem fracos, o que importa é a força da beleza deles, por mais utópicos que sejam.

  20. Pâmela on April 8, 2010 15:33

    Logo os livros todos serão virtuais, assim como as pessoas. Daí transferiremos nossas preocupações para o inebriante extermínio dos leitores.

    Ok, podemos atear fogo no iPads se for preciso.

  21. Felipe Pontes on April 9, 2010 11:07

    Eu já vi diversas bibliotecas lotadas.

    São totalmente ilógicos seus argumentos. Transferir os livros de um espaço público – a biblioteca – para um espaço privado – a casa das pessoas – seria a coisa mais nociva possível em termos de leitura.

    A sua contradição vem abaixo, com a extinsão das bibliotecas particulares. A ideia é que os livros circulem, estajam na rua. Estar numa biblioteca, em vez de na casa de alguém, é o mesmo que o livro esteja na rua: é o espaço público.

    A ideia da biblioteca como um ambiente arcano que é do século XX. Essa sim tem que ser extinta.

    Além do mais, livros não vivem por si sós, como a água e o ar. Precisam de cuidados e mimos contínuos que o relento de um banco de praça não pode garantir.

    Isso sem falar no desprezo ao trabalho dos bibliotecários… elas prestam um serviço, é uma ciência…

  22. André HP on April 9, 2010 19:13

    @Felipe Pontes
    “Eu já vi diversas bibliotecas lotadas.” Será que caberiam todos os alfabetizados em todas as bibliotecas que existem? Por mais que existem bibliotecas lotadas, existem as vazias, e são muitas. Portanto, a questão não é sobre a eficiência ou não da biblioteca como porta-livros, mas seu extermínio como uma forma de angariar mais pessoas para a cultura da leitura.

    Antes livros mal-cuidados que livros parados.

    E sobre o trabalho das bibliotecárias, é uma ciência um tanto caduca. Já vi confusão de má arquitetura de informação em muitas bibliotecas.

  23. Diego on April 11, 2010 13:41

    Excelente texto, acaba de conquistar um leitor assíduo para o blog.
    Não tenho uma opinião muito bem formada sobre o assunto, acho complicado discutir a valorização em excesso que dão ao livro como objeto físico, os tais troféus de leitura. Idéia interessante o extermínio das bibliotecas, mas acho que só é “bonita” na teoria. No mundo real, sem elas, acho que muita gente acabaria por ler menos.

  24. júlia schnorr on April 12, 2010 15:16

    Olá André,

    Acredito que muitos frequentadores de bibliotecas ou intelectuais romantizam e idealizam o silêncio e as mesas individuais como a melhor forma de construção de conhecimento. Transcendemos então essa era de mosteiro e inovemos, quem sabe. Que a construção seja na conversa, no diálogo, na leitura e discussão de textos. Que isso aconteça!

  25. Paulo Moreira on April 24, 2010 03:21

    Sobre o assunto postei recentemente no meu blogue sobre uma iniciativa simpática na cidade onde eu vivo: uma pequena prateleira à prova de intempéries nos parques de onde as pessoas tiram livros que querem ler e para onde levam livros que já não querem em casa. http://paulodaluzmoreira.blogspot.com/2010/03/diario-da-babilonia-books-n-parks.html
    Mas as bibliotecas públicas não atrapalham, muito antes pelo contrário.

  26. André HP on April 24, 2010 16:50

    @Paulo Moreira
    Minha proposta não tem tanta relação com as bibliotecas como a maioria das interpretações mostraram, mas sim com uma nova forma de circulação de livros.

  27. umberto on June 13, 2011 22:06

    Muitas bibliotecas – principalmente as brasileiras – podem sim ser vazias, mas aí a culpa não é só da instituição “biblioteca”. Acho o problema é muito mais complexo do que parece: parte da culpa é do sistema educacional, que não estimula nos alunos – do fundamental ao superior – a reflexão, a pesquisa e, portanto, o uso das bibliotecas (nas poucas vezes em que professores pedem aos alunos para irem lá, esperam destes que apenas copiem trechos de enciclopédia); por outro lado, existe a tecnologia (rádio, tv, internet etc) que permite acesso a informação, porém, como se sabe, nem toda informação veiculada pelas mídias oficiais são confiáveis, cabendo então a cada um que se interessar, pesquisar nas fontes que desejar – a talvez uma biblioteca; outra parte da culpa cabe também aos bibliotecários, sim, que não conseguiram por tempos estimular o uso do espaço, mas isso é algo que vem mudando progressivamente, em que cada vez mais são contruídos nas bibliotecas espaços de socialização, muito mais do que guarda de acervo; não se pode, também, generalizar, pois as bibliotecas no exterior são muito valorizadas, principalmente as do Primeiro Mundo. Poderia citar outras coisas até, mas termino dizendo que a creio, ao contrário do que possa parecer, que a biblioteca é sim um espaço democrático em que a informação está disponível a todos; a questão é criar a cultura do uso e de sua importância e isso se faz na escola. Quem me garante que, na tradição oral, um sujeito não irá só compartilhar informações com seus pares? E onde há socialização nisso? Será que não seriam construídas as castas dos que sabem e dos que não sabem? E não foi isso que ocorreu até o Iluminismo fracês defender a idéia de liberdade e igualdade de condições, inclusive da educação, abrindo escolas, museus e bibliotecas a todo o povo, sendo que antes estas instituições eram frequentadas só pela nobreza? Agora, em relação à circulação de livros, foram feitas algumas experiências de “pegue, leia e devolva” em algumas cidades e são interessantes – porém, se não souberem ler e interpretar, de nada adianta o projeto.

  28. Carolina on June 19, 2011 18:16

    “Há uma falsa impressão de que todo conhecimento acumulado pela humanidade não existiria sem as bibliotecas, como se o inconsciente coletivo não fosse nada, como se a tradição oral não fosse nada, e como, principalmente, se a biblioteca fosse condição essencial para existência dos livros. Minha pretensão é lançar um argumento sensato de que sem as bibliotecas todo conhecimento acumulado pela humanidade seria ventilado em uma amplitude muito maior.”

    ————-
    Leia Uma História Social do Conhecimento de Peter Burke e depois reflita nas palavras que você escreveu!

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